segunda-feira, janeiro 22

2 Many DJ's?

Um ser humano, paixão pela música e uma vontade louca de agradar aos outros - Esta é a fórmula base que constrói um DJ, tudo o resto é periférico.
Mas são esses elementos que circundam esta base que fazem desta arte a coisa mais apaixonante desde que o sexo foi inventado.

As formas de comunicar através da música são infinitas, mas existem dois grandes exemplos. Os performers e os DJ's:
- Os performers podem ser considerados como os que têm a maior presença em palco. Toda a atenção é suposta estar dedicada a eles enquanto estão a tocar. São as bandas rock, os artistas, os cantores, todos aqueles que tocam aquilo que criaram (ou não) à sua maneira, são os que criam o som no momento em que ele sai das colunas.
- Os DJ's são muitas vezes menosprezados porque não são performers, ou seja, não estão a criar a totalidade do som que sai das colunas visto que estão a utilizar elementos pré-gravados (discos, CD's, etc...).

No entanto, se conseguirmos puxar a nossa mente para a realidade conseguimos apercebermo-nos da limitação humana que acontece nas mais variadas situações. Um comediante tem sempre o seu momento alto, e por melhor que ele seja, por mais que se reinvente, o seu estilo estará sempre presente e ao fim de mais ou menos tempo, o seu trono é desfeito porque as pessoas já não lhe acham piada.
O mesmo acontece para os músicos que atingem patamares de fama elevados. Ao fim de algum tempo as suas criações começam a acusar a repetição da fórmula que os levou ao estrelato e acabam sempre por cair. Porque a mente humana é e sempre será limitada...

O DJ é dos poucos tipos de artista que sobrevive à limitação da mente humana desde que saiba usar o seu maior trunfo: inteligência! Ao usar criações de infinitas pessoas diferentes, ele reinventa-se a cada música que passa, pelo que a "única" coisa que tem que se preocupar é em escolher a música adequada para cada momento e lançá-la para os ouvidos de quem o ouve da forma mais agradável e eficiente que conseguir.
É por isso que grandes nomes do DJing sobrevivem ao passar dos tempos - aprenderam a usar a inteligência e a seguir a corrente dos estilos, das modas e daquilo que as pessoas mais gostam de ouvir em cada momento!

Ciências demográficas à parte, toda esta situação nos remete para um fenómeno muito fácil de perceber:
Se os performers tão rápido aparecem como desaparecem, existe uma renovação constante e eficaz de quem está no activo. Se os DJ's não desaparecem tão rápido quanto isso, pelas razões acima descritas, existe uma acumulação de DJ's no activo e, exagerando bastante, corre-se o risco de haver mais DJ's do que clubbers no mundo.

Surge então a ressalva: "mas nem toda a gente tem a capacidade para ser DJ, requer muita destreza mental e manual, capacidade de observação e dedicação à música (pesquisa)"
A refutação desta ressalva que traria esperança a todos os amantes da arte do DJing é algo que de dia para dia se torna mais óbvia:

A destreza manual e mental necessária (sincronização de sons, [i]blending[/i] dos sons através de equalização e a aplicação de formas originais de lançamento de sons) fica severamente afectada pelas facilidades oferecidas pelo surgimento da tecnologia digital adaptada ao DJ.

A dedicação à música não se compara à de outros dias; se dantes era preciso poupar dinheiro porque a única forma de ter as músicas era passando horas em lojas e comprando discos, hoje basta ficar sentado no compuador a ver os charts como os deste fórum e de muitas revistas e sites, meter a sacar e o que for bom fica, o que não for apaga-se... O orgulho que se sente em dizer "eu tenho esta música" quando se ouve na discoteca é reduzido à nulidade.

Juntando tudo o que já foi dito - a facilidade na criação de novos DJ's e a dificuldade em fazê-los desaparecer - explica-se a realidade que vivemos hoje:
Pessoas que instalaram o Traktor ou outro programa, carregaram no [i]sync[/i] e viram como era fácil, passam a auto entitular-se DJ's. As ferramentas que afinal foram criadas por profissionais do ramo com o objectivo de facilitar as partes trabalhosas para que o DJ tivesse mais armas ao seu dispor, para facilitar as criações, acabaram no fundo a virar-se contra todos nós, fazendo surgir uma vaga enorme de novos DJ's.

Não tenho nada contra o facto de uma pessoa, seja ela quem for, querer ser DJ - é sinal que partilha a mesma base de personalidade que eu e muitos outros ("paixão pela música e uma vontade louca de agradar aos outros"). Só que hoje em dia é muito difícil de quantificar a "vontade louca" e a "paixão pela música" de cada um dada as facilidades que todos têm ao seu dispor actualmente.

No mundo em que vivemos, o dinheiro é sem dúvida a coisa mais importante no mundo profissional. Os DJ's não são excepção, logo seguem as regras do mercado como qualquer outra profissão - se a oferta é maior do que a procura, os preços caem. Daí termos hoje em dia pseudo-DJ's a roubar lugar a verdadeiros amantes da arte só porque estão dispostos a receber menos.
E é assim que chegamos aos dias de hoje, DJ's a receber 10€ por actuação e DJ's de corpo e alma sem ter onde tocar, ... Tudo porque está na moda ser DJ - é "fácil", toda a gente gosta de música e toda a gente quer comunicar através dela (mesmo que não tenha a mínima aptidão para fazê-lo).
Os efeitos secundários conseguem ser ainda mais catastróficos! Como tudo o que é abundante, torna-se menos relevante. O diamante é raro, logo é precisoso e reconhecido. O DJ tornou-se comum, logo, irrelevante. Isto provocou uma modificação da noite a pontos de a grande maioria das casas viverem sob a nítida noção de que menos de 5% da clientela está atenta à qualidade do DJ.
Ainda este mês enviei a maquete do meu trabalho actual para uma conhecida discoteca no Montijo e o feedback foi algo do género "o set está muito bom mesmo, mas cometeste o erro de toda a gente que nos enviou demos - usaste as músicas que te caracterizam e não aquelas que o nosso público vem para ouvir - as da rádio!"
Gaita e eu a pensar que as demos serviam mesmo para demonstrar aquilo que nós somos!
Resumindo, toda a cultura se modificou tirando a importância ao DJ na maioria das casas. Chego às vezes a pensar que têm mais oportunidades as pessoas que aprenderam a misturar há um mês do que os que têm anos de experiência!

Não existe nenhuma forma eficaz para combater esta tendência. Pelo menos nenhuma que me consiga lembrar e deixo aqui o repto para que inundem esta thread com propostas e pensamentos para esse objectivo.
A única que me lembro é o combate à pirataria. A dificuldade que referi em quantificar a paixão pela música pode, de certa forma, ser quantificada pela vontade de gastar dinheiro com ela. Sim, é injusta, o gosto pela música é independente de se ser rico ou pobre, mas penso que é das poucas formas que existe. Se duas pessoas com a mesma conta bancária disserem que partilham o mesmo gosto pela música, mas uma vai comprar discos e a outra saca ilegalmente a música, eu acredito que quem compra tem mais paixão pelo que faz...
Por isso, a meu ver, a única forma de reconquistar o valor dos DJ's na noite é apertar o cerco e voltar a fazer dos DJ's um bem raro. Sim, as facilidades mantém-se, mas se houver maneiras fiáveis de fazer com que só se toquem músicas compradas já ia deitar muitos pseudo-DJ's (e patrões que não nos dão valor) pelas ruas da amargura.
Claro que não é tão fácil quanto isso e a parte legal só por si já dá pano para mangas... Mas parece-me ser uma boa forma!

Deixem as vossas opiniões!

Cumps!

segunda-feira, setembro 18

Trip to London

Regressado de Londres, não consigo resistir em analisar aqui, como é meu hábito, certos aspectos da noite Londrina que merecem muita atenção e discussão. Pode ser que discutindo estes aspectos possamos aprender algo para melhorar a noite Portuguesa. Mas atenção, não estou a dizer que a noite de Londres é melhor que a nossa, apenas digo que se analisarmos com pormenor uma noite que é bastante diferente da nossa, poderemos aprender com os seus pontos negativos e positivos.
Para começar a análise, reporto-me a comportamentos que se podem observar ainda antes da noite começar: durante a semana, faz-se aquilo a que eles chamam o 9-5 (nine to five), ou seja, o trabalho (dayjob). Como metrópole que é, deduzo que a grande percentagem de pessoas que circula de dia, na verdade não mora em Londres, mas sim nos arredores. Não sei se este fenómeno é para evitar horas de ponta, se é tradição ou se é mesmo vício (se calhar é as três coisas ao mesmo tempo), mas o certo é que desde as 17h até cerca das 20h, qualquer esquina com um pub está repleta de gente, como demonstrado nesta imagem.

Ora como podem ver, não se tratam de transeuntes. É mesmo pessoal que entra para pedir 1 pint de jola (provei 3 e são todas uma m*rda quando comparadas com a maravilhosa Super Bock), e depois vem cá para fora na conversa (também não percebi muito bem porquê a não ser nos casos em que lá dentro também estava cheio)... São imagens que à primeira e à segunda surpreendem porque um gajo pensa que está numa grande metrópole e depois vê estes comportamentos tipicamente bairristas. Verdadeiras tascas, na minha opinião, com a diferença que são caras e cumprem as legislações sanitárias.
Tudo piorou quando vi pessoal, grupos de 3 ou 4, com um jarro praí de 2 ou 3 litros de birra, iam-se servindo. Aquilo já devia tar tudo morto. Mas o álcool lá é muito caro, e aquilo SÓ pode mesmo ser a vontade de ser bêbado ser superior à vontade de beber coisas boas. Enfim.
Isto para explicar o ponto seguinte da minha análise, já de noite, dentro da Pacha London. Entrei extremamente cedo pois supunha que eram esquesitos com as entradas e não quis arriscar. Mas assim que se entra, já o som está a 3/4 do volume máximo dos amps, a tocar músicas do mesmo estilo que se seguiriam a noite toda. Até aqui tudo bem, pronto, a cena é que aquele fenómeno (português?) de toda a gente ficar à beira da pista enquanto a casa não enche não existia! Ou seja, em Portugal, as pessoas chegam e encostam-se à beira da pista, vão chegando e a música vai tocando e às tantas já não há espaço à beira e vão-se chegando para o meio até, a certa altura, já não haver espaço nenhum (nos sítios que enchem) e só então a casa fica composta. Pois bem, lá é ao contrário, a pista enche do centro para a periferia. Isto quer dizer que quando entrei tinha 3 gatos pingados (nitidamente alterados, ou então com um parafuso a menos) no CENTRO da pista, a dançarem de olhos fechados, a curtirem as vozes bem soulful dos sons que se ouviam. Quando a casa estava a meio gás, as pessoas estavam no meio da pista e à beira só estava quem tava no bar. Ou seja, mesmo com a casa a meio, já havia vibe, nunca houve aquele período que tanto me irrita do pessoal na discoteca, que supostamente entrou para se divertir, e ficam ali feitos parvos a olhar uns para os outros. Agora se consigo perceber e explicar o porquê disto... Isso acho que não!
Bom continuando... Outros dois pormenores interessantes, que têm a ver com as leis deles. O horário de abertura de lá é das 22h às 5h e a hora de ponta pareceu-me ser por volta das 0-3h. Cá é mais tipo 0h às 7h, sendo a hora de ponta das 2-4h. E o segundo pormenor é a entrada exclusiva a maiores de 21 anos. Pela primeira vez na minha vida pediram-me identificação para entrar!
Vendo melhor a situação das horas de ponta, com base nos sítios que tou habituado a frequentar por cá, a partir das 4h nota-se mesmo a debandada geral. Não quer dizer que seja tudo ao mesmo tempo, só por dizer que a diferença entre a pista à hora de ponta e a pista à hora de fecho é abismal por cá. Lá, à hora do fecho a pista ainda estava a 80% do que tava à hora de ponta. Isto permite a qualquer DJ tocar com toda a liberdade durante toda a noite, sem ter de se preocupar tanto com as "obrigações" de passar música X ou Y só porque precisa de arrebitar o pessoal.
O porquê desta situação, na minha opinião, prende-se precisamente com o antecipar do funcionamento da discoteca. Eu pelo menos, quantas vezes passei secas à espera de serem horas de ir para a discoteca. Nunca passaram pelo mesmo? Tem dias que não apetece ir para um bar fazer tempo. Apetece-me dançar e curtir uns sons, mas só às 2h é que vale a pena! Que seca! Isto só faz com que às nossas horas de fecho (6h ou 7h) um gajo já esteja roto e, em noites comuns, já nem sequer lá esteja.
Quanto à idade, bom, essa parte penso que já discuti aqui. Eliminando o factor "putos" na discoteca, elevamos os padrões de saber estar e, acima de tudo, mentalidade aberta para sons novos. Aquele comportamento típico de criança de "nunca ouvi este som na rádio, não gosto" ou de "hey, DJ, mete a Love Generation!" acaba por ficar praticamente extinto. Conclusão - novamente mais liberdade para o DJ fazer sets com qualidade, sem ter de mandar periodicamente as bombocas que já sabemos.
Ao entrar na Pacha (pácha como eles dizem) depáro-me com uma casa baseada em madeira, com uma percentagem muito pequena de elementos metálicos (nem sequer o material de luz estava assente em suportes metálicos). Tudo bem, dá-lhe um ar quente e acolhedor, mas só mais tarde percebi o verdadeiro benefício disto: a acústica! Nunca na minha vida estive presente de som tão bem equalizado e poderoso como naquela casa. Bom, poderoso se calhar já, mas era daqueles que faziam sofrer o tímpano. Aqui não, este som entrava pelos ouvidos como o ar e fazia vibrar o corpo a pontos de por vezes interferir com a respiração (e provavelmente o ritmo cardíaco, hehe). O som era todo da JBL, pelas minhas contas cerca de 8 (4 pares) Subs no chão a toda a volta da pista principal e 5 pares de 2x18" por cima, misturadas com outras mais pequenas para compensações noutros sítios da discoteca.
Mesmo com todo este poder estamos a falar de ausência completa de ruídos parasitas detectáveis. Apenas e só, puro som, com a melhor definição de graves que já presenceei. Não é por acaso que todos os seguranças que circulam pela pista usavam tampões nos ouvidos e auriculares isolantes.
Como é normal no frachise das Pacha, são discotecas que vivem à base de noites predefinidas. Por cá (e penso que na grande maioria dos países) o importante é os nomes dos DJs no cartaz, por lá é o nome da festa. Se é uma Hed Kandi, se é uma Kinky Malinki, uma Smoke, uma Dirty, ... Seja quem for o DJ, estas festas obedecem a certos padrões de apresentação e de tipo de música e as pessoas já sabem o que esperar. Os nomes dos DJs só aparecem em segundo plano nos cartazes. À saída deram-me um saco de plástico cheio de flyers de outras festas e em nenhum deles se destacavam os nomes dos DJs.
No dia 16 de Set era uma festa Kinky Malinki, um seguimento da sobejamente conhecida Hed Kandi que já vende um número razoável de colectâneas em Portugal, mas com um toque mais ousado, com malhas de electro pelo meio e com percussão ao vivo.
Fica aqui uma foto das decorações do tecto da disco:

A música ouvida é sobretudo vocal house (Hed Kandi style). Aqui fogem muito pouco de editoras como a Defected (a rainha da noite) e outras semelhantes, excepto quando é para meter sons de electro. Aí a variedade já é maior... Só por aqui já se nota uma diferença abismal em relação à sequência que estamos habituados, pois no fundo, passou-se uma noite inteira a dançar a sons que cá se usam para fazer warm-ups e pouco mais. Mas se formos a ver, são sons muito mais alegres e que suscitam uma sensação de bem estar muito maior do que sons dark e agressivos como muitas vezes apanhamos no progressivo e no tribal.
O público, esse, não deixou de me surpreender. A certa altura comecei a ouvir berros típicos de "grande malha que tá a entrar" e no entanto fiquei à nora. Só praí uns 5 segundos depois é que me apercebi que estava a entrar a Precious Love, de Blaze. "Eu tenho este disco, eu sei a música de cor" - pensei eu - "e estes gajos reconheceram a música antes de mim!". A sequência era, regras e fórmulas à parte, tocar 3 ou 4 músicas de vocal house, sendo as vozes mais soulful as que rendiam mais, alternando com uma ou duas de electro, usando passagens relativamente rápidas, fazendo uma média de 4min por música (permitir uma, no máximo duas pausas por música). E só aí o electro começou a fazer sentido na minha cabeça. Nunca tinha experimentado esta fórmula (visto que o vocal house cá só rende se for comercial) mas realmente funciona.
Em contrapartida, quando tocou a Electro de Outwork, não se ouviram berros nenhuns e pareceu-me ser considerada uma música perfeitamente normal e igual a todas as outras. O que ainda mais me vem provar que eles curtem é de sons alegres e não de melodias a puxar para o obscuro.
Outros pontos altos que eu tenha memorizado foram músicas como o remix da Be Without You, de Mary J. Blige, a absolutamente fantástica Amê - Rej (que cá também já bomba forte e feio) da Defected (claro), a bombar com a acapella de Marthin Luther King e o seu discurso "I have a dream", seguida do maior berro da noite - Fedde le Grand "Put Your Hands Up for Detroit" e uma agradável surpresa - Red Carpet - Alright. Uma música que eu sou praticamente a única pessoa que conheço que usa e abusa deste som, lá foi a berraria geral e tudo a acompanhar a música a cantar. Filmei e tudo, hehe! Mas o vídeo mostro a seguir pois falta falar de um outro pormenor muito interessante: o strobe!
Como já escrevi há uns tempos valentes, o strobe e o seu uso inteligente, são meio caminho andado para uma noite bem esgalhada. Pois bem, ladies and gentleman, o strobe na Pacha London só acende na fase final dos fill-ins, aquela transição marada da pausa para a full beat. E mesmo assim não é em todos. E de luz tão essencial que é, para terem uma noção, eu só me apercebi dela quando ela se acendeu pela primeira vez, lá para a 1 da manhã. O porquê do strobe não ter um papel tão importante lá prende-se com duas coisas:
1. Se eles não usam progressive house, têm fill-ins mais curtos e menos potentes, daí a parte mais importante para se usar o strobe fica logo desfavorecida;
2. As outras luzes são tantas e tão boas e tão bem colocadas que, como podem ver no vídeo, o strobe não faz a mínima falta:
Red Carpet - Alright @ Pacha London
E assim foi o resto da noite, a curtir estes sons bem alegres, sempre com sorriso nos lábios, olhos fechados... Bem, vocês sabem como é.
Agora os pontos negativos (nem vou falar de ser caro porque pronto, se há coisa que Londres não tem fama é de ser uma cidade barata): a droga! Por três vezes me vieram perguntar se tinha pastilhas! Isto é um degredo muito grande para um ambiente supostamente alegre - é que, gaita, não tavamos propriamente num ambiente de psy-trance! O ppl estava na descontra, não há necessidade de aditivos para aguentar a dançar aquilo que por si só já transmite energia... Enfim... O problema é se começarmos a pensar muito nisto e descobrirmos que aquilo que expliquei de no fim da noite a pista ainda estar a 80% daquilo que estava na hora de ponta, se dever ao Extasy. Aí sim, fico triste, mas infelizmente a noite traz sempre associada uma certa e determinada dose de degredo.
Outro ponto negativo (positivo para a gerência) é o funcionamento dos bares. Pela primeira vez vi em funcionamento o sistema que ainda só tinha ouvido falar da "dose certa". Lá todas as garrafas têm adaptado no gargalo um sistema que, virando a garrafa, só deixa cair uma quantidade pré-estabelecida de bebida, e depois corta o fluxo. Isto é o que dá lógica aquilo que ouvimos falar de "double whiskey" ou "double vodka" - visto que são duas porções da bebida que pretendemos. O grande problema é que, num copo alto com gelo, uma porção de vodka são mais ou menos 2 dedos de altura e mamas £4.50 (€6.75) se for puro ou £5.50 (€8.00) se for com mais alguma coisa. Os sumos com gás tanto podem ser à pistola como usando latas pequenas (unidose também, uma lata por cliente).
Para finalizar, a conta - as bebidas são pagas no acto da compra (meu querido HK e seus cartões magnéticos!!) e são tipo restaurante, apresentam-te o talão num pratinho, pagas e servem-te o troco nesse mesmo pratinho. Enfim, pormenores, hehe.

Em suma, foi uma experiência extremamente positiva e espero que este post permita a muita gente, tal como me permitiu a mim, perceber o que vai bem e o que vai mal na noite deste país.

domingo, julho 23

Chus & Ceballos

Foi a melhor noite a minha vida, não estou a gozar, foi mesmo, mão há nada melhor no mundo que chus & Ceballos, o autógrafo possível na minha mão presente em pouco tempo. Não há palavras, foi a melhor noite de som da minha vida, não sei o que dizer. O house progressivo tem um nome: CHUS & CEBALLOS, os reis do som decente e poderoso em discoteca. Mesmo que eles tocassem até às 10 da manhã eu estava lá. Não dei pelo tempo passar, foi o segurança do HK que teve de me indicar o caminho para a saída porque senão ainda agora estava lá... Nunca na minha vida, nem no SoundBits, nem no Pete tha Zouk, nem na Miss Sheila, nem em kem quer que seja, nunca na minha vida ouvi um som assim... O autógrafo possível (na mão) estará disponível assim que esteja sóbrio... Parabéns à dupla espanhola, são os maiores do mundoooooo!!!!!!
A única foto da noite...

sábado, julho 22

Bob Sinclar

Bom, depois de uma actuação um tanto ou quanto cinzenta no SAPO Soundbits, Bob Sinclar voltou algumas vezes a terras lusitanas, desta vez pude estar presente no Coconuts em Cascais. Já é certo e sabido que "monsieur" Lefriant não gosta de estar afastado do público nem tão pouco de tocar para extensas massas... No Soundbits encontrava-se a mais de 10m do público e a tocar para um pavilhão semi-cheio de gente anónima (ou não) dado que aquela distância nem consegue bem identificar caras. Certo é que fiquei um pouco desiludido com ele nessa noite e só comecei a gritar com os primeiros toques de Erick Morillo na cabine (uma surpresa para mim porque eu pensava que não ia muito à bola com os sons dele).
De formas que encarei esta actuação como um "tira-teimas": será que foi por tocar num ambiente pouco propício à sua inspiração ou será que ele não vale mesmo a fama que tem? E então dirigi-me ao Coconuts, larguei uma quantidade parva de dinheiro e fui elucidar-me...
Ponto alto para o warm-up do coconuts, com deep house da melhor qualidade a subir de volume e força à medida que a casa ia enchendo em antecipação da estrela principal. Bob Sinclar entra na cabine por volta das 2h (não olhei para o relógio, estou a especular), com a barba por fazer e o cabelo desgrenhado (típico dele). Optou por prosseguir com o set de warm-up visto que já estava com intensidade suficiente para passar para os sons dele. Eu prefiro sempre quando a estrela se dá ao trabalho de parar o som de uma forma artística, receber um aplauso como deve de ser, e fazer uma entrada do seu set ainda melhor, mas pronto, opiniões...
Prosseguiu então com os sons que o caracterizam, com especial destaque para a manipulação de voz com loops e efeitos muito bem aplicados dando a sensação que Bob Sinclar é o detentor de uma das melhores colecções de acapellas do mundo. No entanto, e de salientar que não é surpresa nenhuma, manteve-se longe de sons tipicamente progressivos ou electro, apostanto em melodias cantadas, funky e batucadas. Também não foi surpresa nenhuma ter começado a largar bolo aqui, bolo ali, até me ter cansado um pouco daquilo (a gota de água foi Till West - Same Man que eu não gosto mesmo nada) e ter ido apanhar ar na magnífica área ao ar livre do nuts. A partir daqui apliquei uma lição há pouco tempo aprendida: há que dar descontos ao artista e não desistir da actuação assim que se deixa de gostar dela. Há muitas coisas lá prá frente que poderão ser do nosso agrado, basta ter paciência e aguentar a "fase má" até conseguir. Eu consegui aguentar (não foi assim muito tempo) e voltei quando começou a aquecer realmente. Passou para sons mais profundos e um pouco mais agressivos, batidas mais duras e, confesso, que me sacou uns quantos saltos e mãos no ar e berros a dizer "já me convenceu!!". A partir daí gostei bastante e fiz bem em aguentar-me lá na fase má, mas......
Uma coisa é certíssima, sem ponta de dúvidas: eu podia ter feito um set exactamente igual aquele, perante aquele (ou qualquer outro) público e não ia arrancar 1/4 dos aplausos e berros que se ouviram naquela noite - a hype que circunda Bob Sinclar, graças à sua intrusão na cabeça e ouvidos de toda a gente através dos meios de comunicação social, é muito grande mesmo. Estranho é as pessoas não darem por isso (como eu dei) e deixarem-se manipular a pontos de berrarem freneticamente a sons que muitos outros já usaram e não sacaram reacção nenhuma.
Concluindo, ele merece ser DJ internacional pois na verdade dá alegrias a muito boa gente; mantém viva a cultura de que os sons não precisam de ser "fritos" e agressivos para dar pica na pista; é dos poucos que consegue manter muitas mulheres no centro da pista ao fim de 2h de set; foi uma lufada de ar fresco para mim que vou hoje à noite ouvir o exacto oposto (Chus & Ceballos @ HK); mas... aquela histeria, aquele frenesim, a hype... ele não a merece pois não faz absolutamente nada de novo numa cabine. Parabéns pelo sucesso Bob Sinclar, mas deixaste de ser "o" meu diskjockey.

Chus & Ceballos, here I comeee....

domingo, maio 28

O Rescaldo

Bom, terminado o ENEE é altura de reportar o dia + importante para mim que foi o da actuação. Todos os dias foram fantásticos porque estive sempre perto dos meus amigos, mas o facto é que não me tinha enganado: o ppl de enfermagem é mesmo dos melhores party people que conheço!
Mas como as imagens falam melhor que mil palavras, deixo aqui uns exemplos do que foi tocar até ao amanhecer...
Vídeos 3gp (tirados com o meu telemóvel, vizualizáveis com o Quicktime):
De noite...
De manhã...
Se o Internet Explorer vos pedir para instalar o add-on do Quicktime, podem confiar que é seguro, se já tiverem o quicktime instalado, podem clicar com o botão direito nos links e escolher "Save Target As... / Guardar Destino Como..." para fazer o download para o computador.


O meu set baseou-se em sons poderosos de house progressivo e no recurso a melodias manuais, com bastante uso do processador de efeitos interno da DJM-600. Do que não vale ter material de jeito na cabine... O maravilhoso era que o público reconhecia o meu esforço e sempre que eu "inventava" algo eles respondiam com gritos e aplausos, mãos no ar e saltos. Um espetáculo!
O ponto negativo da noite foi quando me obrigaram a terminar mais cedo que o esperado. Só parei quando quem me contratou me veio pedir para parar também visto que face a uma tenda ainda cheia (já de dia), era um crime terminar aquela festa! Dadas as desculpas incoerentes e discordantes que as várias pessoas que me vieram pedir pra parar apresentaram, não posso evitar de dar nota negativa à organização que, na minha opinião, não aguentou a pressão dos responsáveis pela tenda eletrónica que queriam arrumar o material o mais rapidamente possível (havendo a promessa de que já estaria tudo combinado previamente). Uns diziam que o gerador já tava aos saltos, outros que havia mau ambiente (bebedeiras) fora do recinto... O único ponto comum foi mesmo que era para terminar! Certo é que mal acabei de fexar a mala dos discos já havia uma grua a pegar no gerador e uma carrinha a estacionar prontinha para levar o material.
Conclusão, a organização acabou por não cumprir o contrato comigo, não recebi qualquer tipo de compensação e, no fundo, foram um fiasco. Felizmente deram estrilho suficiente para toda a gente perceber que a culpa não foi minha. A lição: não basta especificar bem as condições da nossa actuação (que neste caso eram 2h no mínimo de actuação, saber a hora de entrada e de saída previamente à actuação e presença de gira-discos na cabine); convém também especificar as compensações desejadas perante o incumprimento do contrato.

De salientar também a noite mágica que se viveu perante a actuação de Pete tha Zouk, que nunca desilude e que me deixou este momento no final de um set brilhante...
Pete tha Zouk & JoNeSy e o disco autografado

Parabéns ao FBO que desempenhou sem falhas o seu papel de DJ residente, com warm-up's bem à medida do público que esteve presente.

quinta-feira, abril 13

Próximos gig's (XXVII ENEE)

Passa-se o carnaval, acaba-se a crise da noite. Está certo e sabido que os tempos entre o Ano Novo e o Carnaval são os mais frios e duros para o negócio nocturno. Durante a minha residência deu bem para notar a diferença... Mas depois chega o carnaval, o pessoal despe-se mesmo que esteja frio, parece que acordam outra vez prá festa e assim do nada lembram-se "txiii pois é, já não danço como deve de ser há montes de tempo!" e assim renasce o espírito e a alma da noite.
Para Abril a agenda já está mais a meu gosto e em Maio outra data importante já está marcada:

MAIO:

Van Grogue (Sobreiro, Mafra)



JoNeSy is back in the house! Cansadito dos bares Lisboetas, meros pontos de passagem entre o jantar e a entrada na discoteca, em Mafra sinto-me em casa... De volta ao Van Grogue para actuações pré-marcadas (serão de esperar futuras datas), desta vez a usar a arte do vinyl! Já tinha saudades desta casa!


Encontro Nacional de Estudantes de Enfermagem 2006


Fica tudo desde já convidado a passar a semana de 21 a 26 de Maio no XXVII ENEE, a desbundar o ambiente e, sobretudo, convido-vos a dançarem aos ritmos que incansavelmente procuro e vou comprando... Estou a estruturar o plano para uma actuação digna de fechar o ENEE em grande (sou a última actuação de todas), depois de termos curtido Miss Sheila (dia 22) e gritado com o grande Pete tha Zouk (dia 24)!
Sei que todo o esforço que vou dispender para tal não será em vão, ou não seja o ppl de Enfermagem dos melhores party ppl em Portugal!
Será uma actuação de 2h por onde planeio percorrer os estilos que me caracterizam. Como já escrevi por aí, não gosto de categorizar as músicas por estilos, mas sim pelos efeitos que provocam. Distingo 3 grandes categorias: as que fazem sorrir, as que fazem fechar os olhos e as que fazem levantar os braços e saltar. Vou tocá-las por esta ordem e espero conseguir agradar à multidão que se espera presente em todas as noites do grande ENEE.


ABRIL:



21 -Screen (Santos), outra vez

Pavilhão de Penhascoso (Abrantes)


30 - Discoteca Jet (Abrantes)


Até à próxima...

Mega-Update

Bom, a pedido de várias famílias (ou não), eis que volto à carga com este pequeno espaço da minha autoria. Como se pode reparar, o último post foi a 11 de Setembro e desde então algumas coisitas interessantes aconteceram...
A seguir às actuações descritas no último post, outras se sucederam, mas coisa miúda, mais para a brincadeira e divertimento de um grupo restrito de pessoas do que propriamente exibições para massas. Umas festarolas de praia, umas actuações em Santos para aquecer a noite e coisas do género.
No entanto a maquete que disponibilizei aqui foi entregue a uma das minhas referências (não uso a palavra "ídolo" porque é abusar um bocado... é o modelo daquilo que quero ser quando for grande, vá) no mundo do DJing - D'Jay Rich, um homem experiente, paciente e com a alma TODA virada para a música que a gente gosta de dancar.. E assim foram surgindo conversas, opiniões, mais conversas e quando demos por ela achámos uma boa ideia levar ao clube onde faz residência (the great Hacienda Klub, "The Temple of Sound") DJ's revelação numa iniciativa chamada "Future Superstar DJ's". Iniciativa esta que, com os conhecimentos del maestro, contou com o apoio da revista DanceClub, a referência da música de dança em Portugal.
E assim foi, planeou-se o evento, abriram-se inscrições aos interessados que posteriormente foram sujeitos a casting (eu tive uma espécie de "apuramento directo" para a coisa mas mesmo assim fui lá ao primeiro casting pra testar o material do Templo). Iniciei as honras do primeiro casting e ia eu a meter o terceiro disco já o D'Jay Rich me estava a enxotar, e passo a citar: "Vá, tás mais que bom, baza daí que já tás a meter malhas que eu ainda nem tenho! Quem é o próximo?!"
E assim surgiu a concretização de um dos meus objectivos:














Como bónus uma recordação que fica para toda a vida (se não se partir mais, lol, porque partiu-se pouco depois de ter terminado a minha actuação lá, mas colou-se bem):




Bom e assim se terminou o ano, com a aquisição dos gira-discos apresentados também nessa imagem que têm dado um jeitão para praticar em casa! Stanton & Vestax rulam!

O início de 2006 foi vazio no que toca a actuações, mas não foi vazio a nível de contactos, pode ser que surjam residências em sítios bem interessantes mas que por agora andam em águas de bacalhau...